Histórias dos nossos VWs - 27

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"A Kombi e o 13 de Agosto"
Autor: Luiz Quibão Jr. - https://www.facebook.com/jrquibao
História enviada via email ao Clube do Fusca de Poços de Caldas - MG
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Varias lendas existem sobre o numero 13, se for um dia e cair em uma sexta feira então a coisa piora, e se for ao mês de agosto então?

Bem uma das historias que presenciei está ligada ao dia 13 de agosto.

Um amigo de uma cidade aqui do interior paulista era representante comercial e fazia o norte de São Paulo e sul de Minas, e á uns anos ele estava passando por um estacionamento de uma cidadezinha mineira e viu uma Kombi 74 branca, em estado de zero KM, como eu já o havia inoculado com o anticucus ferruginosus ele parou pra levar um susto, pois deveriam pedir um absurdo por ela, mas para sua surpresa foi pedido o mesmo valor de um Fusquinha 69 que ele estava negociando e ainda teria que ser restaurado.

Como quando a esmola é muita o santo desconfia ele falou que precisava dos docs. liberados para fazer o negocio, e assim foi feito, ele voltou com seu filho de lata e seu supervisor, que por coincidência estava fazendo visitas com ele voltou com seu carro de plástico, digo carro de trabalho.

A viagem de volta foi tranquila, como era época de natal, ele considerou aquele seu presente, que foi aprovado pela esposa, que o acompanhava á todos os eventos de carros antigos, e foi em um desses que os conheci, e acabei ganhando sua confiança e detalhes do segredo de sua bela Kombi.

Nunca citarei seu nome, nem as cidades da compra e a que ele mora, pois poderiam discrimina-lo nos eventos.

Ele me confidenciou que durante os meses que antecederam o agosto daquele ano foram á muitos eventos, fizeram passeios, e até acamparam com a filha de lata deles, mas na madrugada do dia 13 de agosto a Kombi foi roubada da garagem.

Era como um familiar que tivesse sido sequestrado, a esposa completou, pois foi ela a primeira á ver que a vaga na garagem onde ela ficava estava vazia.

Passado o susto, queixa dada á policia eles ficaram procurando ela pelas ruas e estradas rurais da pequena cidade, até que recebem um telefonema da PM que foi avisada da localização dela, em um lugar um tanto estranho, dentro do cemitério e ao lado da capela, onde as funerárias faziam a arrumação dos corpos para os velórios realizados lá.

Ele foi voando ao local e viu que tinha uma chave no contato, achando estranho, pois tinha até um chaveiro de um caixãozinho, onde ele concluiu ser alguma brincadeira de mau gosto, ele deu a partida e voltou para casa.

Ao dar a volta por traz dela notou que não tinha mais um arranhão que ele fez no para-choques traseiro ao raspar em um postinho de demarcação de vaga em um camping, mas a emoção foi tanta que nem pensou no assunto.

A vida segue normal, e mais uma vez no dia 13 de agosto ela some da garagem, meu confidente falou que não teve duvidas, foi direto ao cemitério e a encontrou no mesmo local do ano anterior, e de novo com a chave e chaveiro, ele senta no banco e vai dar a partida, mas ela não pega, dai ele chama um amigo guincheiro que em vão tenta reboca-la para a prancha, chega á sair fumaça do cabo de aço e ela não se move, nesse vai e não vai começa á clarear o dia e ao girar a chave ela dá a partida e vão embora.

Como ele é uma pessoa de mente aberta, notou que tinha algo de anormal com ela, mas até se acostumou com as “fugas” dela aos dias 13 de agosto, e toda vez que voltava ela vinha feito zero, todas s marquinhas de uso desapareciam, nem óleo do motor ele tem trocado e do dia12 para 13 ele esvazia o tanque, pois ele sempre volta cheio.

Mas uma coisa é aceitar o inexplicável e conviver com ele, e outra é a curiosidade, como ele não fazia mais aquele setor, nunca teve a oportunidade de pesquisar a historia dela, até que um dia ele volta agora como supervisor á encantadora cidadezinha sul mineira, e vai ao estacionamento falando que á uns oito anos ele tinha visto uma Kombi branca linda por lá e queria saber se ela foi vendida á alguma pessoa da cidade, o vendedor, que era novo na loja, falou que ele não conheceu a Kombi, mas já era lenda na cidade e só foi vendida á um forasteiro, que não conhecia sua historia, e que era a seguinte:

O dono da funerária local tirou essa perua zero KM e tinha um grande zelo por ela, somente usava para transportar as urnas funerárias até a capela do cemitério e depois guardava, e sempre falava que somente ele iria “viajar” nela, e em um dia 13 de agosto quando os funcionários foram abrir as portas da “loja” o encontraram morto dentro dela, sentado no banco do motorista, com um pano na mão, oque deduziram que ele estava limpando o painel, pois na tarde anterior ela havia feito uma entrega.

O desejo dele foi atendido, e nunca mais usaram a velha Kombi que foi vendida ao estacionamento e lá ficou por pelo menos cinco anos até ser comprada pelo forasteiro, pois todo ano no dia 13 de agosto, ela ia dar um passeio!

Essas são as historias que acabamos conhecendo em nosso mundo antigomobilistico, e além da confiança do casal ganhei um dos mais de 10 chaveiros que eles têm, pois cada ano ela volta com um!

Rafard 12 de agosto de 2012 18:45