Histórias dos nossos VWs - 29

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"Fusquinha 1961 Verde Berilo que andava desligado !!!..."
Autora:
Ernesto Bernardi
História enviada via email clubedofuscapocos@yahoo.com.br
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Passeando com o FUSQUINHA desligado


O ano era 1969.
A cidade São José do Rio Preto, no interior do estado de São Paulo. Pela Via Washington Luis e Anhanguera dista-se da capital paulistana em 440 quilômetros.
O meu avô Idônio, fazia o papel de motorista para levar e buscar os pestinhas no Colégio São José, construído próximo à Rodovia Washington Luis.

O Colégio era dirigido pelos Padres espanhóis Agostinianos cujo ideal é pautado na Educação Cristã dos povos.
O magnífico veículo do vovô era um Fusquinha 1200 cc., de cor verde-berilo, ano 1961 e emplacado na cidade vizinha de Catanduva.
Tanto na ida como na volta à escola eram inúmeras caronas oferecidas uma vez que, era um tremendo luxo ir estudar utilizando um veículo particular. 

A grande maioria ia de buzão do Circular Santa Luzia e outros pegavam carona na Kombi verde e branca, tipo saia e blusa como diziam na época, e na direção o Padre Isidoro Calvo Martín, que era professor de História no Colégio e vinha do Colégio Santo André onde havia acabado de dizer a missa naquele educandário.
Às vezes o motorista mudava e vinha o diretor do Colégio o Padre Isaias Alonso Fernández.


Nossa volta para casa era o momento de grande destaque, lembrado até hoje por quem viveu. Vovô saia da frente do Colégio, e passava no campo oficial de futebol, pouco acima do Colégio.
Depois passava em frente à concessionária de automóveis da VW, chamada Rimotor e entrava num trevo que desembocava na Rua Saldanha Marinho, que exibia um declive suave, até encontrar a Avenida Alberto Andaló.

Aí começava o espetáculo.
Vovô solenemente avisava a todos no carro, “atenção, olhem a chave!”
E após desligar o carro, em movimento, tirava a chave do contato e punha no bolso da sua camisa.

Seguia dirigindo por quase três quilômetros até a porta de nossa casa, com o carro desligado.
Para quem está achando muita loucura tudo isso, saibam que os freios daquele Fusca, sem o hidrovácuo moderno, funcionavam do mesmo jeito estando o veículo ligado ou não.
E os carros populares da época não tinham trava na direção, deste modo exceto pelo motor desligado tudo continuava funcionando como antes.

E nós dentro do carro vibrando como se fosse um número circense de globo da morte.
E o motorista tarimbado, o nosso herói da hora, o saudoso nonno Idônio, habilitado em 1925 e invicto em questão de acidentes automotivos.
Com certeza ele está lá no céu dos motoristas, pilotando um fusca de bananinha, com vidro traseiro bipartido e com o emblema Paulistarvm Terra Mater colocado próximo ao puxador do capô dianteiro.

AUTOR:  Ernesto Bernardi  –  Uberlândia, 12 de novembro de 2012.