Histórias dos nossos VWs - 17

 _
"O Azulão de volta ao ninho!!!"
Autor: Luiz Quibão Jr.
História publicada no Grupo Yahoo - Buteco Galaxie
 _

O Azulão de volta ao ninho imagine a felicidade de ver isso!

Tem gente que fala que nunca se arrependeu das coisas que fez, ou está faltando com a verdade, ou é muito “sábio”, eu não me envergonho de falar que já me arrependi muitas vezes. Uma delas já foi vista aqui mesmo, quando contei na historia da Tampa da Panela e o Karmann Ghia na sala, de ter vendido o Mankinho, existem outros arrependimentos, mas não vem ao caso agora. Mas se tem algo que me arrependi e estava me corroendo, e vou contar agora!

Quando ganhei o Marcão (Fuscão 71) eu queria trazer pra casa e não tinha vaga, daí tive a brilhante idéia de levar o Azulão (Landau 83) á minha casa de S Pedro, onde passávamos os fins de semanas, pois daí até iríamos andar mais com ele. Como toda grande idéia, tinha uns problemas, e um deles foi que o Lê, meu filho de carne, começou á estudar em Piracicaba e acabamos indo muito pouco para lá, e o outro foi o aumento assustador dos roubos e assaltos na cidade, á cada reportagem na EPTV Globo de Campinas o coração apertava de ter o filho de lata lá longe e quando íamos para lá nem abríamos a porta da garagem. Ele ficou escondido dentro de casa sem ver a luz do sol por muitos meses. Parece que ao olhar para ele, que eu até evitava, estava me cobrando para sair e tomar um ar, e um sentimento ruim tomava conta de mim.

Quem tem filhos de lata sabe de que eu estou falando, são coisas que só quem ama carro antigo sente.

Mas o coração foi apertando e nos últimos tempos parecia que nada me alegrava, até o serviço parece que não fluía e estava até somatizando na saúde, e de uma hora pra outra botei na cabeça que iria buscá-lo de prancha, pois com a queda da ponte de Águas de S Pedro em janeiro temos que dar uma volta de mais 23 km para chegar á Piracicaba, passando por Charqueada em uma estrada um tanto perigosa por causa dos “As Nos Volantes” que trafegam por lá, não respeitando limites de velocidade e sinalização de solo e para vir rodando depois de tanto tempo parado e achei perigoso.

Bom á pouco tempo tive que fazer uma manutenção um tanto pesada na Funerária (Royale 94), que é meu carro de dia á dia e o caixa estava baixo, mas acho que se não fosse buscá-lo o gasto com a prancha seria convertido em calmantes!

Ai entra em sena o Foguinho, amigo meu desde a época de solteiro, que tem um pátio e vários guinchos, acertei com ele que me fez um preço bem camarada, mas foi uma semana de ensaios para ir buscar, daí ontem dia 7 de junho de 2011 às 17h40min, eu fui pagar pelo serviço e daí iríamos no sábado, mas quando eu vou até lá me sinto na Disneylândia. Fico imaginando quantos daqueles carros poderiam ser salvos e fazer a felicidade de antigomobilistas.

Mas conversa vai conversa vem, ele falou porque não vamos agora?

Relutei um pouco, mas acabei resolvendo ir, liguei pra Luci avisando, e daí ela me lembrou de um detalhe, eu tinha que passar em casa pegar as chaves da casa. Imagina a sena! Chegar lá e lembrar que faltavam as chaves.

Falei que não tinha Volkswagen na historia, mas tem sim alem do Marcão e do Mankinho que citei lá no começo, tem a prancha que é um Volkswagen, e toma estrada.

Pelo horário não pegamos muito trânsito e por sorte o carro do visinho que fica no fundo corredor da nossa casa, em frente ao portão da garagem ainda não tinha chegado, daí foi mais rápido, o Foguinho colocou a prancha dentro do corredor e içamos o Azulão para cima dela.

Parece que os seus quatro olhos me olhavam com agradecimento por trazê-lo de volta para casa, são sentimentos que muitos não entendem, mas para os que não entendem eu falo que costumo beliscar paredes para ver se elas gritam e o Lucas, Lobo, fala que tem amigos nossos que a ouvem gritar.

Azulão devidamente preso na prancha pegamos o caminho de casa, saindo de Piracicaba, perguntei de o Foguinho estava com pressa, ele responde que não e ai falo vamos comer um lanche em Rio das Pedras?

Ele topa daí paramos em uma lanchonete que tem um dos melhores lanches da região e o cara também costuma beliscar paredes, daí a gente se sente em casa.

Ligo em casa, e acordo a Luci que já pensa o pior, mas era para ver se ela queria lanche, mas não queria e daí só por educação mando perguntar ao Lê que aceita de primeira.

Depois de uns 40 minutos estou em frente á minha casa para descarregar a bateria e o sabão caseiro que fazemos lá em S Pedro, a Luci levanta e vem ver o Azulão em cima da prancha e não tenho como descrever a olhar dela, parecia um filho que não vemos há muito tempo voltando para casa.

Tiro a bateria do porta malas e a caixa de sabão da prancha e entro em casa e o foguinho segue ao pátio de onde ele levaria ao Raul para botar o coração do Azulão para bater de novo.

Ao tirar as chaves do bolso e noto que estava com a chave dele no bolso, daí a Luci fala corre atrás pra deixar com ele!

Bom sai com a Funerária e fui levar, mas desencontrei dele que entrou pela rua do fundo do pátio e daí quando ele vai abrir o portão que fica em uma viela estaciono ao lado e dou a chave, ao dar ré os quatro olhos do Azulão me fitam com aquele olhar de agradecimento e reconhecimento ao saber que em minhas possibilidades financeiras e o trato da melhor forma possível.

Rafard 07 junho de 2011